
- Esta reflexão é uma das actividades do nosso projecto e a sua leitura foi realizada no Jantar de Natal, que tem lugar todos os anos no Colégio Marista de Carcavelos.
Reflexão de Natal: Porquê oferecer um livro?
Mais um ano voou e a chegada do Natal não passa despercebida nem aos mais distraídos! Desde os anúncios publicitários que invadem as nossas casas às aliciantes montras e luzes que enfeitam as ruas, tudo nos seduz, tudo nos hipnotiza. Entramos nesta onda de agitação e rapidamente deturpamos o seu sentido: “O que irei comprar para o Pai? E para a Mãe? Ao meu sobrinho preferido tem de ser um brinquedo daqueles grandes! O que é que os avós me vão oferecer? Tenho mesmo de dar alguma coisa ao vizinho e aturar aquela conversa amarela do costume? Uma lembrancinha ao patrão ficava bem! Será que ela vai gostar? Talvez seja melhor isto…Mas isto já pesa no orçamento!”, enfim. Eis que se eleva uma vertente económica e economicista das nossas relações, ao mesmo tempo que se declara iniciada a correria alienante aos centros comerciais. Não é absurdo? Valores como a partilha e o amor ao próximo que tanto nós, ocidentais, nos orgulhamos de promover no Natal são suplantados pelos comportamentos que deles decorrem, mas que pouco ou nada se identificam com os mesmos ideais. Mas longe de nós querer fechar a fábrica de brinquedos do Pólo Norte! Nem quero imaginar o sindicato não só de Pais com de Mães Natal, Avôs, Avós, Tios e Tias que, perdendo o horizonte que os move nesta época, se manifestaria à escala mundial. Seria o caos, não é verdade? Apenas desejamos que o bom senso tome as rédeas do ritmo galopante desta sociedade.
Qual será então o propósito de oferecer um presente? Ah e não vale recorrer à desculpa dos modismos e das aparências, os típicos “Porque é o que toda a gente faz” ou “Porque fica bem” não são aqui bem-vindos. Acredito que um presente nunca foi tão fiel à realidade que lhe dá forma. Paradoxo? Não, apenas considero que o presente nunca foi um objecto tão imediato, tão efémero. Levanta-se agora a questão: como inverter o rumo desta odisseia consumista que dá rumo ao Natal? A solução passa por vincar e perpetuar a essência que existe em cada presente. Como sendo um acto de consideração, carinho ou admiração por alguém, oferecer algo implica que nesse algo esteja subjacente essa mesma mensagem, daí a necessidade de ser pensado e personalizado. Cheques de compra, vales ou dinheiro? Não admira que as prendas lá da árvore careçam de meticulosa identificação. Onde entra aí o espírito natalício? Um presente deve conjugar o Remetente e o Destinatário. Deve falar de nós e não falar por nós. Deve falar de nós e não ser o tema de conversa. Deve constituir o topo de amizades e não o alicerce que as ergue. Ocorre-vos alguma ideia? Entre algumas outras, pensei num livro!
Desde muito cedo que se compreendeu a importância da leitura no desenvolvimento das capacidades cognitivas do ser humano. A leitura desencadeia processos imaginativos, estimula o raciocínio e desenvolve a capacidade verbal. Quando lemos um livro, pomos à prova o nosso discernimento, eleva-se a imaginação, adquirem-se novas e melhores formas de estruturação do pensamento e expandem-se os horizontes do conhecimento. Nas crianças as estruturas mentais encontram-se em constante remodelação, estando mais permeáveis a factores externos, o que significa que toda a informação assimilada contribui para modelar os seus alicerces intelectuais, o que faz desta faixa etária a ideal para implementação de bons hábitos de leitura. Desta forma, o livro torna-se no presente ideal para oferecer às crianças. Todos nós sabemos que o mistério estimula a criatividade e que, por isso, o Natal é a época festiva que mais contribui para o seu desenvolvimento. Durante o mês de Dezembro, cada dia aparece um novo presente de baixo da árvore de Natal que assalta o olhar dos mais novos. Em cada criança nasce uma curiosidade crescente que a leva a questionar-se acerca da natureza de cada presente. “Para quem é?”, “O que é” são as perguntas mais frequentes. Agora imaginem que este mistério é exponenciado, pensem nos efeitos...
É isto que acontece ao dar um livro. O dia 25 deixa de ser o fim do mistério para passar a ser o começo de um maior. Em cada livro, o mistério ao virar da página, um abismo saudável que a imaginação conquista.
Feliz Natal e Boas Leituras
Mais um ano voou e a chegada do Natal não passa despercebida nem aos mais distraídos! Desde os anúncios publicitários que invadem as nossas casas às aliciantes montras e luzes que enfeitam as ruas, tudo nos seduz, tudo nos hipnotiza. Entramos nesta onda de agitação e rapidamente deturpamos o seu sentido: “O que irei comprar para o Pai? E para a Mãe? Ao meu sobrinho preferido tem de ser um brinquedo daqueles grandes! O que é que os avós me vão oferecer? Tenho mesmo de dar alguma coisa ao vizinho e aturar aquela conversa amarela do costume? Uma lembrancinha ao patrão ficava bem! Será que ela vai gostar? Talvez seja melhor isto…Mas isto já pesa no orçamento!”, enfim. Eis que se eleva uma vertente económica e economicista das nossas relações, ao mesmo tempo que se declara iniciada a correria alienante aos centros comerciais. Não é absurdo? Valores como a partilha e o amor ao próximo que tanto nós, ocidentais, nos orgulhamos de promover no Natal são suplantados pelos comportamentos que deles decorrem, mas que pouco ou nada se identificam com os mesmos ideais. Mas longe de nós querer fechar a fábrica de brinquedos do Pólo Norte! Nem quero imaginar o sindicato não só de Pais com de Mães Natal, Avôs, Avós, Tios e Tias que, perdendo o horizonte que os move nesta época, se manifestaria à escala mundial. Seria o caos, não é verdade? Apenas desejamos que o bom senso tome as rédeas do ritmo galopante desta sociedade.
Qual será então o propósito de oferecer um presente? Ah e não vale recorrer à desculpa dos modismos e das aparências, os típicos “Porque é o que toda a gente faz” ou “Porque fica bem” não são aqui bem-vindos. Acredito que um presente nunca foi tão fiel à realidade que lhe dá forma. Paradoxo? Não, apenas considero que o presente nunca foi um objecto tão imediato, tão efémero. Levanta-se agora a questão: como inverter o rumo desta odisseia consumista que dá rumo ao Natal? A solução passa por vincar e perpetuar a essência que existe em cada presente. Como sendo um acto de consideração, carinho ou admiração por alguém, oferecer algo implica que nesse algo esteja subjacente essa mesma mensagem, daí a necessidade de ser pensado e personalizado. Cheques de compra, vales ou dinheiro? Não admira que as prendas lá da árvore careçam de meticulosa identificação. Onde entra aí o espírito natalício? Um presente deve conjugar o Remetente e o Destinatário. Deve falar de nós e não falar por nós. Deve falar de nós e não ser o tema de conversa. Deve constituir o topo de amizades e não o alicerce que as ergue. Ocorre-vos alguma ideia? Entre algumas outras, pensei num livro!
Desde muito cedo que se compreendeu a importância da leitura no desenvolvimento das capacidades cognitivas do ser humano. A leitura desencadeia processos imaginativos, estimula o raciocínio e desenvolve a capacidade verbal. Quando lemos um livro, pomos à prova o nosso discernimento, eleva-se a imaginação, adquirem-se novas e melhores formas de estruturação do pensamento e expandem-se os horizontes do conhecimento. Nas crianças as estruturas mentais encontram-se em constante remodelação, estando mais permeáveis a factores externos, o que significa que toda a informação assimilada contribui para modelar os seus alicerces intelectuais, o que faz desta faixa etária a ideal para implementação de bons hábitos de leitura. Desta forma, o livro torna-se no presente ideal para oferecer às crianças. Todos nós sabemos que o mistério estimula a criatividade e que, por isso, o Natal é a época festiva que mais contribui para o seu desenvolvimento. Durante o mês de Dezembro, cada dia aparece um novo presente de baixo da árvore de Natal que assalta o olhar dos mais novos. Em cada criança nasce uma curiosidade crescente que a leva a questionar-se acerca da natureza de cada presente. “Para quem é?”, “O que é” são as perguntas mais frequentes. Agora imaginem que este mistério é exponenciado, pensem nos efeitos...
É isto que acontece ao dar um livro. O dia 25 deixa de ser o fim do mistério para passar a ser o começo de um maior. Em cada livro, o mistério ao virar da página, um abismo saudável que a imaginação conquista.
Feliz Natal e Boas Leituras
