terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Na continuação da nossa actividade "Arte da Escrita" o segunda autor escolhido foi Miguel Torga. O trabalho é pequeno mas o objectivo é dar a conhecer e não cansar!!!


Esperemos que gostem!!!



MIGUEL TORGA


Filho de Francisco Correia Rocha e Maria da Conceição Barros, nasceu a 12 de Agosto de 1907 em São Martinho da Vila e faleceu a 17 de Janeiro de 1995 em Coimbra.









Origem do pseudónimo:
O nome Miguel Torga foi o pseudónimo escolhido por Adolfo Correia Rocha para assinar as suas obras. Escolheu o nome Miguel em homenagem a Miguel de Cervantes e Miguel Unamuno e Torga devido à abundância desta planta em Trás-os-Montes (zona de origem).




Citações:


· “Ter um destino é não caber no berço onde o corpo nasceu, é transpor as fronteiras uma a uma e morrer sem nenhuma."
- Miguel Torga In Fernão de Magalhães, Antologia Poética. Lisboa: Dom Quixote, 1999.

· "Vou tentar ser bom marido, cumpridor. Mas quero que saibas, enquanto é tempo, que em todas as circunstâncias te troco por um verso."
- Miguel Torga in A Criação do Mundo, V.






Poema: Aos poetas
Somos nós
As humanas cigarras!
Nós,
Desde os tempos de Esopo conhecidos.
Nós,
Preguiçosos insectos perseguidos.
Somos nós os ridículos comparsas
Da fábula burguesa da formiga.
Nós, a tribo faminta de ciganos
Que se abriga
Ao luar.
Nós, que nunca passamos
A passar!...

Somos nós, e só nós podemos ter
Asas sonoras,
Asas que em certas horas
Palpitam,
Asas que morrem, mas que ressuscitam
Da sepultura!
E que da planura
Da seara
Erguem a um campo de maior altura
A mão que só altura semeara.

Por isso a vós, Poetas, eu levanto
A taça fraternal deste meu canto,
E bebo em vossa honra o doce vinho
Da amizade e da paz!
Vinho que não é meu,
mas sim do mosto que a beleza traz!

E vos digo e conjuro que canteis!
Que sejais menestreis
De uma gesta de amor universal!
Duma epopéia que não tenha reis,
Mas homens de tamanho natural!
Homens de toda a terra sem fronteiras!
De todos os feitios e maneiras,
Da cor que o sol lhes deu à flor da pele!
Crias de Adão e Eva verdadeiras!
Homens da torre de Babel!

Homens do dia a dia
Que levantem paredes de ilusão!
Homens de pés no chão,
Que se calcem de sonho e de poesia
Pela graça infantil da vossa mão!

Sem comentários: