Esperemos que gostem!!!
MIGUEL TORGA
Filho de Francisco Correia Rocha e Maria da Conceição Barros, nasceu a 12 de Agosto de 1907 em São Martinho da
Vila e faleceu a 17 de Janeiro de 1995 em Coimbra.Origem do pseudónimo:
O nome Miguel Torga foi o pseudónimo escolhido por Adolfo Correia Rocha para assinar as suas obras. Escolheu o nome Miguel em homenagem a Miguel de Cervantes e Miguel Unamuno e Torga devido à abundância desta planta em Trás-os-Montes (zona de origem).
Citações:
· “Ter um destino é não caber no berço onde o corpo nasceu, é transpor as fronteiras uma a uma e morrer sem nenhuma."
- Miguel Torga In Fernão de Magalhães, Antologia Poética. Lisboa: Dom Quixote, 1999.
· "Vou tentar ser bom marido, cumpridor. Mas quero que saibas, enquanto é tempo, que em todas as circunstâncias te troco por um verso."
- Miguel Torga in A Criação do Mundo, V.

Poema: Aos poetas
Somos nós
As humanas cigarras!
As humanas cigarras!
Nós,
Desde os tempos de Esopo conhecidos.
Nós,
Preguiçosos insectos perseguidos.
Somos nós os ridículos comparsas
Da fábula burguesa da formiga.
Nós, a tribo faminta de ciganos
Que se abriga
Ao luar.
Nós, que nunca passamos
A passar!...
Somos nós, e só nós podemos ter
Asas sonoras,
Asas que em certas horas
Palpitam,
Asas que morrem, mas que ressuscitam
Da sepultura!
E que da planura
Da seara
Erguem a um campo de maior altura
A mão que só altura semeara.
Por isso a vós, Poetas, eu levanto
A taça fraternal deste meu canto,
E bebo em vossa honra o doce vinho
Da amizade e da paz!
Vinho que não é meu,
mas sim do mosto que a beleza traz!
mas sim do mosto que a beleza traz!
E vos digo e conjuro que canteis!
Que sejais menestreis
De uma gesta de amor universal!
Duma epopéia que não tenha reis,
Mas homens de tamanho natural!
Homens de toda a terra sem fronteiras!
De todos os feitios e maneiras,
Da cor que o sol lhes deu à flor da pele!
Da cor que o sol lhes deu à flor da pele!
Crias de Adão e Eva verdadeiras!
Homens da torre de Babel!
Homens do dia a dia
Homens do dia a dia
Que levantem paredes de ilusão!
Homens de pés no chão,
Que se calcem de sonho e de poesia
Pela graça infantil da vossa mão!

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